Recensão a “A Arte de Chorar em Coro” no Diário Digital

Posted on 08/12/2011


Recensão no Diário Digital (por Pedro Justino Alves). Para ler aqui: A Arte de Chorar em Coro no Diário Digital

 

Formiga Eucleia com novo título para o Inverno

Texto: Pedro Justino Alves

A Eucleia Editora é uma espécie de formiga da fábula «A Cigarra e a Formiga». Aos poucos, com cautela e com rigor, constrói um catálogo que merece especial atenção dos leitores nacionais, tanto no Inverno como nas restantes estações do ano. O mais novo título é «A Arte de Chorar em Coro», de Erling Jepsen.
Em «A Arte de Chorar em Coro» acompanhamos a vida de uma criança de 11 anos, o narrador da história. Admirador confesso do pai, faz de tudo para não o contrariar e ver feliz, pois só assim a sua família vai permanecer unida. Pelo menos assim acredita.

«Não é fácil ser sempre aquele que resolve os problemas da família, eu que não sou adulto, mas alguém tem de fazer alguma coisa»

Através dos seus pensamentos, actos e reflexões, o jovem conta a história da sua família, que de normal tem muito pouco. A começar pelo pai, orador especialista em actos fúnebres que sofre de «nervos psíquicos», o que o obriga a deitar no sofá com a filha mais nova…

Na sua estreia literária, Erling Jepsen oferece um fresco irrepreensível de uma família disfuncional no seio de uma povoação dinamarquesa. Apesar de tratar temas complicados como a política, religião ou o incesto, não há como não rir das situações e dos pensamentos do seu jovem personagem, que acredita que Tarzan, o seu herói favorito, seja a reencarnação de Jesus Cristo.

Todo o «Capítulo 5», onde é descrita uma festa de Natal memorável, ou o rapto da irmã, com passagens dignas de um filme non sense, são apenas mais dois exemplos onde a fina ironia de Jepsen fica demonstrada.

A escolha da voz do narrador é plenamente justificável, já que, deste modo, o autor consegue conciliar o humor com os temas abordados, nem sempre fáceis de escrever. Mas, segundo o olhar de uma criança, a nossa família é sempre «normal», por mais disfuncional que seja, como é o caso.

Uma excelente aposta para o Natal da Formiga Eucleia, que mais uma vez apresenta ao leitor português um autor nórdico que não escreve sobre policiais. E o que escreve… convence!

 

 

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