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Um punhado de histórias mais ou menos lamechas, Joana Moraes

Joana Moraes nasceu num dia quente em S.João da Madeira, mas tanto andou de trás para a frente, dentro e fora do país, que não sabe de que terra é. É atriz, encenadora e professora. Escreve para teatro e, secretamente, também escreve poesia. Fala estrangeiro. Este é o seu primeiro livro.

Um punhado de histórias mais ou menos lamechas reúne alguns dos poemas que a autora tem vindo a escrever e que – através de uma poderosa carga imagética e de uma subtil, mas contundente, agudeza poética – revelam uma maturidade linguística e uma sensibilidade literária arrebatadoramente simples e simplesmente arrebatadoras.

Tenho um punhado

De histórias lamechas para contar.

Histórias de faca e alguidar

De puxar a lágrima

Arrancar os cabelos

Desligar a televisão

e ir para a cama a chorar…

Mas vim aqui dizer:

Está um belo dia de Sol.

Leia aqui as primeiras páginas: Um punhado de histórias mais ou menos lamechas – Primeiras Páginas

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Os Cães, Ola Nilsson

(Tradução de João Reis)

Ola Nilsson, vencedor do Prémio Literário Norrland, em 2010, nasceu na Suécia em 1972 e é, hoje em dia, um dos autores mais promissores do seu país. O seu estilo cruel e minimal capta genialmente a vida de pessoas inadaptadas e o modo como estas se tentam integrar.

Os Cães aborda a vida de alguns jovens no escuro e frio nordeste da Suécia, numa pequena localidade onde uma ponte marca o dia-a-dia da comunidade. A ponte – símbolo da decadência da região e da entrada no mundo moderno – é o local de encontro dos jovens que, não tendo mais para onde ir e lidando com problemas de álcool, aí se juntam. Apesar do alcoolismo, das perigosas relações sexuais e da falta de orientação, existe, ainda assim, uma vontade constante de sobreviver, alimentada pela ansiedade e esperança de uma outra vida. Uma história cruel, violenta e emotiva a que não se consegue ficar indiferente.

«O estilo de Nilsson é sereno, tendo, por vezes, algum humor lacónico, mas sem nunca resvalar para sentimentalismos sobre o modo de vida das personagens: alcoólicos empedernidos que ainda não saíram da adolescência. Lembra Lars Görling: a poesia na brutalidade e na pobreza, a beleza presente na vida miserável. Os Cães de Ola Nilsson é um grande romance: contido no seu estilo curto e simples, mas com um alcance enorme.»

Hallands Nyheter

«Nilsson escreveu um tipo de livro noir de Norrland, com mosquitos e abates ilegais, borras de café e condições duras, álcool e uma impressionante taxa de acidentes. (…) A escrita de Nilsson é confiante e controlada, com frases curtas que, por vezes, dão início a uma divagação quase poética… Pode ler-se Os Cães como uma pungente descrição do alcoolismo adolescente, da falta de contacto interpessoal, e da miséria das regiões pouco povoadas. Mas pode também ser lido como uma das perspetivas do dilema universal de como nos devemos adaptar num mundo cruel.»

Kristianstadsbladet

Leia aqui as primeiras páginas: Os Cães – primeiras páginas

Ver mais sobre este livro (incluindo opiniões) aqui: Os Cães

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Quanto mais depressa ando, mais pequena sou, Kjersti Annesdatter Skomsvold

(Tradução de João Reis)

Kjersti Annesdatter Skomsvold nasceu em 1979, em Lutvann, perto de Oslo, onde cresceu. Este é o seu primeiro romance e com ele venceu o Prémio Tarjei Vesaas para primeira obra, em 2009.

Mathea nunca foi boa a lidar com pessoas, excetuando o seu marido Epsilon. Agora que é uma idosa, começa a aterrorizar-se com a ideia de morrer sem que ninguém se tenha apercebido da sua existência. Um brilhante romance de estreia que se lê de um fôlego, com um invulgar sentido de humor e uma extraordinária capacidade para prender e comover o leitor.

“Uma excelente estreia literária!”
NRK

“Um belo romance sombrio sobre a inescapável solidão do ser humano. Uma tragicomédia de rara qualidade.”
Stig Sæterbakken

“Um fascinante pequeno romance que toca o seu coração de um modo adorável e não sentimental.”
Dagens Næringsliv

Quanto mais depressa ando, mais pequena sou é uma belíssima pérola de romance de estreia.”

Weekendavisen

“Esta estreia norueguesa domina tanto o cómico quanto o mórbido. Um romance surpreendente e encantador sobre a peculiar vida de uma peculiar mulher.”

Litteratursiden

“Uma tragédia comovente que o fará rir em alto e bom som… um livro terrivelmente engraçado sobre a solidão e a morte.”

Silje Bekeng, Klassekampen

Romance vencedor do Prémio Tarjei Vesaas 2009

Quanto mais depressa ando, mais pequena sou – primeiras páginas

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A Arte de Chorar em Coro, Erling Jepsen

(Tradução de João Reis)

Erling Jepsen nasceu em 1956, na Dinamarca. Iniciou-se na escrita com peças de teatro em 1977 e a sua estreia enquanto romancista deu-se em 2002 com A Arte de Chorar em Coro, romance que veio a ser adaptado ao cinema e premiado em vários festivais. A sua obra tem recebido inúmeras críticas positivas e um grande reconhecimento no seu país natal, assim como em vários outros, onde está já traduzida.

Narrada por uma criança de onze anos, A Arte de Chorar em Coro apresenta-nos, através de um olhar tão ingénuo quanto perturbador, uma vila rural da Dinamarca de finais dos anos sessenta e uma família que, embora seja completamente disfuncional, é encarada pela personagem principal com toda a normalidade.

Erling Jepsen narra, com um enorme talento para o sarcasmo e o humor negro, as tentativas de um menino em ajudar o seu pai (que padece de «nervos psíquicos») naquilo que ele melhor sabe fazer: discursos fúnebres.

«Um romance muito invulgar – triste, divertido, aterrador e impossível de largar.»

Marianne Eilenberger, in B.T.

«Raramente se serve uma peça de mordaz realismo social de um modo tão atraente e com uma sensibilidade tão genuína.»

Henriette Bach Lind, in Jyllands-Posten

«Não há absolutamente nada para rir no original thriller caseiro de Erling Jepsen. Simplesmente, não se consegue evitar.»

Lise Garsdal, in Politiken

A Arte de Chorar em Coro – Primeiras Páginas

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Não Humano, Osamu Dazai

(Tradução de Ana Neto)

Osamu Dazai (1909 – 1948) foi um dos maiores escritores japoneses do século XX. Não Humano é uma obra de pendor auto-biográfico e a última escrita por Dazai, por muitos considerada a sua obra-prima e ainda uma das mais vendidas e influentes no Japão.

Não Humano explora poderosamente a alienação de um indivíduo face à sociedade, de um modo desesperante e tragicamente fatalista. Yozo, personagem principal do romance, é um jovem diferente e desajustado, cujo percurso é pautado por uma interminável busca pela compreensão do que são os seres humanos.

Não Humano apresenta-nos a imagem de um homem que carrega as suas misérias,  fraquezas e amores, como um sino de leproso pelo mundo, a imagem da nossa simples humanidade.”

The New York Times

Não Humano – Primeiras Páginas

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Livro Ruído, Davi Araújo

O poeta Davi Araújo nasceu em São Paulo, no Brasil, em 1979. Estudou História e Jornalismo. Atuou como agente de leitura, operador de atendimento e apresentador de televisão. É redator, tradutor e revisor de textos. Manteve um blogue por cinco anos, cujos poemas editou na sua Ontologia Fonética. Participou em algumas coletâneas e revistas eletrónicas de poesia, escreveu o romance Não Fique São e os poemas em prosa de Ficções Paralelas & Visões Para Lê-las, ainda inéditos, e produz atualmente outra obra em verso. A sua estreia é este Livro Ruído.

Livro Ruído – Primeiras Páginas

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A Casa Ancestral de L., José Gonçalves Gomes

José Gonçalves Gomes nasceu em 1972. Doutorou-se em Matemática e é, atualmente, professor da Universidade Nova de Lisboa. A Casa Ancestral de L. é o seu primeiro romance.

Narrada na primeira pessoa, a partir da visão de Catarina de L., esta é uma obra onde os planos ficcional e histórico se conjugam de um modo original, sem jamais resvalar para os lugares-comuns frequentemente encontrados numa história de amor em cenário de guerra. Porque é disso que essencialmente se trata, de amor e de guerra. De uma mulher cercada,
que se cerca a si mesma. De um homem que a segue incondicionalmente. De beleza que não esmorece, apesar da fome, da miséria, da degradação.

«Tenho por companhia – além da cama e do genuflexório – o Cristo crucificado. De olhar erguido ao abandono do Pai. Estremecendo ante explosões que sobre Elvas espalham a ferralha incendiária. A oração penitente que me foi ensinada, dita e redita tantas vezes quantos os meus pecados, aflora por vezes os lábios. Estranha à minha vontade, surge sem apelo, discorre seu pranto, torna por fim às catacumbas de onde emergiu. Melhor faria chorar abraçando os muros. Mas a cal conventual, que dilui o corpo, não consola. A exiguidade da cela alarga a dor. Como o fogo nas encostas, o desespero faz pasto do que alcança.»

A Casa Ancestral de L. – primeiras páginas

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Um lugar chamado Oreja de Perro,  Iván Thays

(Tradução de Natália Reis)
Uma grávida que fala com os anjos, uma antropóloga que quer ser hipnotizada e sonha com correspondentes de guerra, um fotógrafo cínico e intratável, um presidente cronicamente atrasado, um amnésico que traduz Shakespeare e aprende chinês. Um jornalista que não aprende a viver sem o filho e sem a mulher, que não consegue escrever uma carta, que vagueia perdido pelo mundo, por um lugar chamado Oreja de Perro.

Um lugar chamado Oreja de Perro foi finalista do prestigiado Prémio Herralde de Novela em 2008.

Iván Thays (Lima, 1968) é um dos mais reconhecidos autores peruanos da atualidade. Contista, romancista, professor universitário, Iván Thays apresentou durante alguns anos um polémico programa televisivo sobre livros e mantém o famoso blogue Moleskine Literario.O seu talento já foi realçado por autores como Mario Vargas Llosa, Alfredo Bryce Echenique e Alonso Cueto.

FINALISTA DO PRÉMIO HERRALDE DE NOVELA 2008
“Iván Thays é um dos mais interessantes escritores que apareceram na América Latina em anos recentes.” Mario Vargas Llosa

Um lugar chamado Oreja de Perro – primeiras páginas

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Memórias de um Morto, Hjalmar Bergman

(Tradução de João Reis)

Hjalmar Bergman (1883 – 1931) é considerado um dos maiores escritores suecos do século XX. Autor de inúmeras obras literárias, todas elas vistas como exemplos perfeitos de uma literatura sobretudo assente nas preocupações existenciais que, com ironia, uma vincada carga simbólica e a mestria narrativa que lhe é característica, delineiam e tornam único, e extraordinariamente moderno, o seu estilo pessoal.

Memórias de um Morto segue os esforços de Jan Arnberg, personagem principal do romance, para escapar à maldição que recaía sobre a sua família há já várias gerações.

«Posso estar presente durante horas sem que ninguém repare em mim. E, de repente, torno-me o ponto focal do olhar de todos, as pessoas falam comigo, louvam-me, fazem-me realizar truques. Perdi o meu nome, o meu nome de família. Sou apenas o Jan. Um belo nome curto para um cão.»

Memórias de um Morto – Primeiras Páginas

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O Supermacho,  Alfred Jarry

(Tradução de Manuel Reis)

Alfred Jarry (1873 – 1907) foi um escritor francês, particularmente conhecido pelas suas peças Ubu, considerado um genial novelista e precursor do teatro surrealista.

O Supermacho, novela divertida, delirante e provocadora, revela bem os principais traços da obra do autor, controversa, subtilmente marcada por um estilo de ímpar sensibilidade metafórica e de uma modernidade incomparável.

O Supermacho – Primeiras Páginas

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Búfalo, Botika

Brilhante, original e arrebatador. Búfalo é violência e ternura, é caos e ordem, perfeição, humor e amor. Escrito num ritmo alucinante e pleno de inteligentes e poderosas metáforas e de imagens que conduzem o leitor a uma experiência literária única e marcante no panorama da Literatura contemporânea.

Botika é um jovem escritor, músico e produtor cultural brasileiro. Búfalo é o seu segundo livro.

«O umbigo aparece como a cereja no bolo. A barriga estava lisa e deus chorou uma lágrima de satisfação pelo trabalho realizado com êxito. A lágrima de deus caiu ali na barriga dela e fez-se o umbigo. Deus, com mais emoção ao observar seu último feito intuitivo, chorou um temporal. Temporal esse que me acordou e acordou todo o mundo paralisado. O beco voltou a ser beco com vida e quando me dei conta estávamos, eu e a mulher, ajoelhados frente a frente tomando o temporal divino e pesado sobre nossos corpos. Com as pupilas em ótimo estado pude reparar o bico de nossos narizes se aproximando até o toque. Não havia acontecido na existência do universo um toque de ponta de nariz como aquele. Era amor à primeira e à segunda vista. Micro big bang aflorado e se expandindo. Dupla sertaneja no auge do sucesso. Duas almas se encostando pela primeira vez. O máximo do belo. Tudo o que é dois acontecendo junto. Mantivemos aquela mesma posição por horas a fio, unificados somente pelas pontas dos narizes. Permanecemos nos beijando daquela forma. Nosso primeiro beijo foi assim, pelo nariz.»

Búfalo – Leia Aqui o Primeiro Capítulo

Ver mais sobre este livro (incluindo opiniões) aqui: Búfalo

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Garman & Worse, Alexander Kielland

(Tradução de João Reis)

Alexander Lange Kielland (1849 – 1906) é considerado um dos quatro maiores escritores noruegueses de sempre, a par de nomes como Henrik Ibsen, Bjørnstjerne Bjørnson e Jonas Lie.

Garman & Worse é o seu primeiro romance, onde se notam já todas as características que viriam a definir a sua escrita, de um tom anti-clerical, pró-feminista, crítico e impregnado de um sentido de  humor subtil, típico dos nórdicos. Nele é abordada a história de duas famílias e suas relações humanas e sociais, num registo pleno de atualidade e construído sobre um vasto leque de   marcantes personagens.

Esta é a primeira tradução de Kielland para a Língua Portuguesa.

«Nada é tão ilimitado quanto o mar, nada tão paciente. Carrega às suas largas costas, como um elefante amigável, os minúsculos anões que trilham a Terra; e tem nas suas vastas e frescas profundezas lugar para todas as lamentações do mundo. Não é verdade que o mar é traiçoeiro, pois nunca prometeu nada: sem exigências, sem obrigações, livre, puro e autêntico bate o grande coração, o último saudável num mundo doente.

E enquanto os anões esforçam os olhos para ver acima dele, o mar canta a sua velha canção. Muitos mal a percebem, mas nunca dois a entendem da mesma forma, porque o mar tem uma palavra diferente para cada um que se coloca cara a cara consigo.»

Leia aqui as primeiras páginas:
Garman & Worse – Primeiras Páginas

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Os Contos Completos de Ambrose Bierce

(Tradução de João Reis)

Ambrose Bierce (1842 – 1914) foi um dos maiores escritores norte-americanos de sempre. A sua produção literária é muito vasta, passando pela escrita jornalística,textos humorísticos, ensaios, fábulas e contos. Os contos que nesta edição se reúnem,92 no total, são todos os que dele se conhecem. A presente obra constitui a primeira compilação e tradução integral dos seus contos em Língua Portuguesa. Com um tom sarcástico e um estilo muito negro polvilhado de humor, pelas suas histórias perpassa tanto o sobrenatural quanto o terror psicológico ou a afirmação de uma posição pacifista originada pela sua vivência na Guerra Civil. Os seus contos de guerra e as suas reviravoltas narrativas são, ainda hoje, uma referência para os estudiosos da Literatura dos Estados Unidos.

Leia aqui as primeiras páginas:

Os Contos Completos de Ambrose Bierce – Primeiras Páginas

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A Violação das Mulas, Maria O.

Maria O. nasceu em Vila Nova de Gaia há mais de 20 anos.
Tem escrito muito.
Ainda está viva.

Panascas, putas e políticos.
Uma vila portuguesa.
Uma escultura polémica.
Um retrato do cu da Europa: Portugal no seu melhor.

UM LIVRO SARCÁSTICO, ENVOLVENTE E MORDAZ. Já imaginou um guião à la Quentin Tarantino dos velhos tempos, mas escrito por uma portuguesa?
A história de uma vila portuguesa e da polémica criada em torno de uma escultura. Políticos corruptos, falsos moralistas, promiscuidade e reviravoltas surpreendentes num livro irónico e divertido.

Leia aqui as primeiras páginas:

A Violação das Mulas – Primeiras Páginas

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O Cortiço, Aluísio Azevedo

Aluísio Azevedo nasceu a 14 de abril de 1857 e morreu em 21 de janeiro de 1913. O seu romance O Mulato é tido como um ponto de viragem na estética literária brasileira, fugindo dos cânones românticos e inaugurando o naturalismo que mais evidente se tornaria em obras como Casa de Pensão e O Cortiço. Neste romance, um clássico da literatura brasileira, através de uma linguagem que conjuga a erudição com um registo coloquial, é feito um retrato da sociedade brasileira oitocentista, de uma forma jocosa e muito controversa para as mentalidades de então.

«Uma bela noite, porém, o Miranda, que era homem de sangue esperto e orçava então pelos seus trinta e cinco anos, sentiu-se em insuportável estado de lubricidade. Era tarde já e não havia em casa alguma criada que lhe pudesse valer. Lembrou-se da mulher, mas repeliu logo esta ideia com escrupulosa repugnância. Continuava a odiá-la. Entretanto este mesmo facto de obrigação em que ele se colocou de não servir-se dela, a responsabilidade de desprezá-la, como que ainda mais lhe assanhava o desejo da carne, fazendo da esposa infiel um fruto proibido. Afinal, coisa singular, posto que moralmente nada diminuísse a sua repugnância pela perjura, foi ter ao quarto dela.»

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O Cortiço – Primeiras Páginas

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